Miami Artsy — Forbes

Carollina Lauriano, Dezembro 10, 2024

Fechando o intenso e con- corrido calendário global de feiras de arte em 2024, a agitada e jet-setter Art Basel Miami Beach reunirá, de 6 a 8 de dezembro – com abertura vip nos dias 4 e 5 –, 283 estandes representando galerias de arte internacionais da América do Norte, América Latina, Europa, África e Ásia.

Esta será a primeira edição liderada por Bridget Finn, ex-galerista que foi contratada para atuar como diretora da feira no ano passado. Em 2024, serão 32 novos expositores estreando na feira, o maior gru- po de recém-chegados ao Centro de Convenções de Miami Beach desde 2008. São 25 galerias exibidas no setor principal da feira pela primeira vez, traçando um caminho mais equitativo para a participação de pequenas e médias galerias, não só no setor principal, mas também nos cinco setores curados da exposição: Meridians, Nova, Positions, Survey e Kabinett.

 

 

E claro que as galerias brasileiras não estão fora dessa lista. Este ano, 17 espaços participarão da feira, posicionados entre o setor principal e os setores curados, de que eu particularmente gosto mais, por- que podemos adentrar mais nas pesquisas dos artis- tas. Assim, a ForbesLife Fashion selecionou quatro artistas brasileiros de destaque para ficar de olho du- rante a exposição. Confira.

 

 

MAHKU – MOVIMENTO DE ARTISTAS HUNI KUIN – Carmo Johnson Projects, Setor Positions

Movimento dos artistas Huni Kuin do Acre, o MAHKU pinta cantos e mitos relacionados à sua ancestralidade. Traduz e transforma em imagens os cantos Huni Meka, a cerimônia de consagração da medicina ayahuasqueira. Esses cânticos, por sua vez, são caminhos que colocam os participantes nos rituais de ayahuasca em relação com a alteridade. O MAHKU desenha, portanto, uma relação de tecnologia, em pinturas que são pontes para o mundo não indígena. 

 

A prática do MAHKU é expressa na sua declaração “Vende tela e compra terra”. Nos últimos 10 anos, o MAHKU protege o nixi pae por meio do desenvolvimento de uma prática artística contemporânea que é simultaneamente uma metodologia para salvaguardar e renovar o conhecimento ancestral Huni Kuin e uma estratégia para a recuperação territorial. Para os MAHKU, a venda de obras de arte torna-se tática para desviar o mercado da arte, a fim de comprar parcelas de terra, que são depois recuperadas para a sua comunidade.

 

Os caminhos do MAHKU já os levaram longe. Na recente 60a Bienal de Veneza, o MAHKU pintou a história de Kapewë Pukeni (o mito do jacaré-ponte) no grande mural criado para a fachada do Pavilhão Central, a entrada principal localizada no Giardini.