A Art Basel Miami Beach 2024 encerrou-se há poucos dias, deixando o mundo da arte em alvoroço com vendas recordes, apresentações inovadoras e um diálogo cultural dinâmico. Marcando a primeira edição sob a direção de Bridget Finn, este ano o evento consolidou sua posição como a principal feira de arte nas Américas, atraindo mais de 75.000 visitantes de todo o mundo, incluindo grandes colecionadores, curadores e representantes de mais de 230 museus e instituições líderes.
A semana começou com vendas impressionantes durante a prévia VIP, destacando-se a negociação da Hauser & Wirth, que vendeu Untitled (2014) de David Hammons por US$ 4,75 milhões, a transação de maior valor do evento. Desde mestres modernos como Pablo Picasso e Keith Haring até luminares contemporâneos como Wangechi Mutu e Cecily Brown, a feira apresentou uma incrível variedade de obras que chamaram a atenção tanto de colecionadores experientes quanto de compradores de primeira viagem.
Com 286 galerias de 38 países, dois terços provenientes das Américas, a feira celebrou sua programação mais diversa e inovadora até o momento. Entre os destaques estavam o setor Meridians, reimaginado sob a curadoria de Yasmil Raymond, com obras monumentais de Alice Aycock e Franz West; os setores Nova e Positions, que promoveram vozes emergentes; e um robusto programa de Conversas liderado por Kimberly Bradley, com debates lotados sobre a interseção entre arte, tecnologia e cultura global.
Refletindo sobre sua primeira edição como diretora, Bridget Finn declarou: “Foi uma sensação extasiante finalmente abrir as portas da nossa mostra para os visitantes, após mais de um ano de planejamento com nossos expositores e seus artistas, nosso Comitê de Seleção, a equipe da Art Basel, parceiros e colaboradores institucionais. Estou extremamente orgulhosa das inovações que introduzimos este ano—desde o reposicionamento e a reconceitualização do Meridians até a implementação de um novo modelo de estande, que nos permitiu receber muitas vozes e perspectivas vitais no setor principal da feira.”
Finn acrescentou: “Em todos os aspectos, as galerias apresentaram propostas verdadeiramente ambiciosas, raras e, em alguns casos, decisivas para carreiras e cânones artísticos. Essas obras foram incluídas em coleções de altíssimo nível e fomentaram conversas futuras significativas para o mundo da arte. Sou profundamente grata pela confiança depositada em mim nesta primeira edição.”
Este ano, a Art Basel Miami Beach foi uma verdadeira celebração do poder transformador da arte. Desde instalações de nível museológico até programas públicos acessíveis, a feira demonstrou por que continua sendo uma peça fundamental da cultura e um evento indispensável no calendário internacional das artes.
Aqui estão alguns dos destaques da última semana selecionados por mim, muitos deles vistos através dos meus óculos inteligentes Rayban Meta (parceiros da Art Basel pela primeira vez):
MAHKU – Movimento de Artistas Huni Kuin, Carmo Johnson Projects
Liderado por Ibã Huni Kuin e fundado em 2012, o trabalho da MAHKU é centrado na criação de uma interpretação única e quase surrealista da floresta amazônica. Suas obras estão na vanguarda de questões sociais e políticas relevantes enfrentadas pelas comunidades indígenas no Brasil, como a reparação de terras. Vendendo suas pinturas, a MAHKU está comprando de volta suas terras com o objetivo de alcançar autonomia em seu território na Amazônia. Em Miami, a MAHKU foi apresentada em um estande solo pela galeria brasileira Carmo Johnson Projects, como parte do setor Positions. Este novo conjunto de pinturas está relacionado à ancestralidade Huni Kuin e retrata cantos Huni Meka traduzidos e transformados, provenientes da cerimônia em que a medicina da ayahuasca é consagrada.
