MAHKU (Acre) Amazônia, b. 2013
59 1/2 x 82 5/8 in
Uma tradução visual de um canto huni meka do tipo Kayatibu, que são aqueles entoados para que as mirações [visões], relacionadas à força do nixi pae [ayahuasca], diminuam à medida que a cerimônia se aproxima do fim.
Nahene Wakamen, como todos os cantos e suas traduções visuais, justapõe imagens e não tem a intenção de seguir uma estrutura narrativa. Ela traz imagens das águas sagradas da floresta, de animais e peixes encantados. É um chamado por força, energia e prosperidade.
O MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin (2012, Acre – Amazônia – Brasil) pinta cantos e mitos relacionados à cultura oral Huni Kuin. O coletivo traduz e transforma os Huni Meka, os cantos que conduzem as cerimônias nas quais a medicina da ayahuasca é consagrada, em imagens. Esses cantos são, por sua vez, caminhos que colocam os participantes dos rituais de ayahuasca em relação com a alteridade. O MAHKU, portanto, pinta relações de tecnologia: pinturas que funcionam como pontes em direção ao mundo não indígena.
A prática do MAHKU atravessa a afirmação “Vende tela e compra terra”. Nos últimos dez anos, o coletivo tem protegido o nixi pae por meio do desenvolvimento de uma prática artística contemporânea que atua simultaneamente como metodologia de salvaguarda e renovação dos conhecimentos ancestrais Huni Kuin e como estratégia de recuperação territorial. Para o MAHKU, a venda das obras torna-se uma tática de desvio do mercado de arte para a compra de terras, que são então restauradas e reintegradas à sua comunidade.
Os caminhos do MAHKU já os levaram longe. Na 60ª Bienal de Veneza, Stranieri Ovunque – Foreigners Everywhere, o coletivo pintou a história de Kapewë Pukeni (o mito do jacaré-ponte) no grande mural criado para a fachada do Pavilhão Central, entrada principal localizada nos Giardini.
Atualmente, as obras do coletivo integram as coleções do Museu de Arte de São Paulo, da Pinacoteca do Estado de São Paulo e da Fondation Cartier. Entre as exposições das quais participaram, destacam-se Histoires de Voir (Fondation Cartier), Histórias Mestiças (Instituto Tomie Ohtake), 35º Panorama da Arte Brasileira: Brasil por Multiplicação(MAM-SP), Avenida Paulista (MASP), Vaivém (Centro Cultural Banco do Brasil) e Vexoá: nós sabemos (Pinacoteca). Assim, por meio da arte, os integrantes do coletivo dialogam com os não indígenas e fortalecem sua autonomia cultural e territorial.